AFC-RJ
america football club1904 - 2004
Em 1935, aos quinze anos de idade, começou a carreira artística.
Figura lendária dos antigos Teatros de Revista, Virgínia estrelou dezenas de musicais e atuou também em importantes produções do cinema nacional. Foi uma das artistas de maior prestígio no governo de Getúlio Vargas que, além de ser seu fã, chegou a ter um "affair" com ela. Entrevistada por Francisco Canazio, da Rádio Globo, Virgínia Lane declarou que "estava embaixo de um lençol quando quatro encapuzados invadiram a alcova de Getúlio Vargas e fuzilaram. [...] Eu tive quinze anos deitando e levantando com Getúlio. Getúlio não se matou. É tudo mentira da história. Eu morro com uma arma apontada para minha cabeça, mas eu morro dizendo a verdade."
Em 1946 lançou pela Continental seu primeiro disco interpretando a marcha "Maria Rosa", de Oscar Bellandi e Dias da Cruz e o samba "Amei demais", de Ciro de Souza e J. M. da Silva. Nesse mesmo ano, com o fechamento do cassinos no Brasil, saiu em excursão apresentando-se na Argentina, México, Estados Unidos, Espanha, Portugal e no Japão, Em 1948 voltou ao Brasil e atuou como vedete na revista "Um milhão de mulheres", de Chianca de Garcia, encenado no Teatro Carlos Gomes do Rio de Janeiro. Nesta ocasião recebeu dde Getúlio Vargas o título de "Vedete do Brasil".
Em 1951, lançou seu grande sucesso, a marchinha "Sassaricando". O sucesso foi tanto que a música acabou criando a expressão maliciosa "sassaricar". Fez papéis marcantes no teatro de revista como "A mulata"; "Boneca de Piche", "Carlitos"; "Joana D'Arc"; "Anita Garibalde"; "Cantinflas"; "Messalina" e "Marquesa de Santos".
Gravou 24 discos em 78 rpm, um pela Continental e os outros pela Todamérica, principalmente com marchinhas de temas maliciosos ou humorísticos, apesar de ter gravado sambas também. Fez diversos filmes na Cinédia e na Atlântida, entre os quais, "Tudo azul", "Anjo do lodo", que escandalizou a sociedade da época; "Pé na tábua", "Carnaval no fogo"; "Laranja da China", "Mulher de verdade", etc., muitos dirigidos por Watson Macedo e nos quais contracenou com artistas como Grande Otelo, Oscarito e Zé Trindade.
Em 1960, gravou dois discos pela etiqueta Carroussel incluindo as marchas "Meu América", de Nelson Castro, homenagem ao time de futebol do América F.C, campeão carioca de futebol daquele ano, de quem é fanática torcedora, e "Marcha da vitória", de Hélio Nascimento, Mirabeau e J. Gonçalves.
No início dos anos 1970 passou a morar nos arredores da cidade de Barra do Piraí, onde chegou a ser Secretária de Turismo. Ali vivendo sozinha, apenas acompanhada por uma filha adotiva, só sai para shows esporádicos. Em 2002, sofreu acidente automobilístico, tendo que colocar alguns pinos de aço na parte superior de suas famosas pernas.
Em 2003, lançou dois CDs comemorativos aos seus 80 anos de idade, "Virgínia
Lane a Vedete do Brasil canta seus 80 anos", com 32 músicas, entre
as quais, "Sassaricando', Luiz Antônio e Jota Júnior; "Zé
Corneteiro", de Lalá Araújo; "Marcha da pipoca",
de Luiz Bandeira e Arsênio de Carvalho; "Brotinho vem cá",
de Gânio Ganeff e William e "Lá vem a cobra grande", de
Antônio Almeida e João de Barro.
Fontes: Nova
Trento, Dicionário
MPB.
:::::
::::::::::
:::::