AFC-RJ
america football club1904 - 2004
15 de novembro de 2006
Era 1974 e o America era moda. O melhor time carioca, com o futebol mais bonito e grandes jogadores, encantava as platéias e os seus torcedores. Só para mostrar o que digo, meteu 4 a 1 no Vasco na entrega das faixas do título brasileiro ao time da colina. Decidiu cinco turnos seguidos até 75, ganhando apenas a taça GB 74 pois a maioria já sabe das eternas inimigas arbitragens e causos obscuros. Mas eu começava a acompanhar o futebol como segundo esporte, pois em 72 o Emerson me fizera adotar a fórmula 1 como primeira opção. De um avô fanático torcedor rubro com mãe e avó idem, meu pai é tricolor passivo, com um time que se podia chamar de galático, assumi com meus onze anos a paixão rubra. E como fazem bem a uma criança, a um pequeno torcedor os ídolos. O time tinha o Luisinho, que disputava a artilharia com nada mais nada menos Zico e Dinamite. E ganhou. O cara era infernal, cabeludo, rápido, insinuante, goleador. Virou meu ídolo e de inúmeros torcedores rubros instantaneamente. Não perdôo até hoje sua ida para o Flamengo. Se foi incompetência da diretoria, o que depois nos acostumaríamos, ou outra coisa, não sei, só sei que ele completava aquela equipe sensacional, arrematava os lançamentos do Bráulio e os cruzamentos do Flecha. Se ficasse mais um ou dois anos com o America...
Numa tarde chuvosa, minha família americana me levou para conhecer o time dos sonhos, pessoalmente, num treino no Andaraí. Meu irmão Fred, com oito anos, também se iniciava no culto ao America, depois de uma passagem imatura pelas cores rubro e preta. Como ele é mano mais novo, eu teria alguém para defender meus chutes: virou goleiro por minha necessidade.( a propósito, se tornou um grande arqueiro, mas sempre foi super bom aluno, é engenheiro). Chegamos ao campo e como queria conhecer meu ídolo de perto me apresentaram a um cara que era amigo do Luisinho. Ele chamou o artilheiro que me cumprimentou, pareceu muito boa praça e levou o meu caderno de autógrafos para o vestiário. Eu estava visivelmente sem jeito, pois estava de frente e falando com meu herói do futebol. Luisinho trouxe de volta o caderno com as assinaturas: Orlando, Ivo, Bráulio Barbosa Lima, a dele, Gilson Nunes e do reserva Terezo. No início da folha estava o autógrafo do Rogério. Rogério que era o ídolo do pequeno goleiro Fred, que gentilmente no meio do treino, sujo de lama e barro, atendeu um pedido de minha mãe fanática e tirou uma foto conosco. Eu ainda idolatrava o Luisinho mas a partir daquele dia o Rogério subiu no meu conceito. Rogério era um grande goleiro, estava no auge da forma aos 27 anos. Na taça Guanabara de 74, fechou o gol com defesas impossíveis, se tornando, depois disto, o único jogador do America em toda a história a estampar, sozinho, a capa da revista Placar de circulação nacional. Rogério era moderno, lançava com as mãos, usava camisas coloridas num tempo onde o negro e o cinza dominavam (Camisas em 74: taça GB, laranja, segundo turno, verde, terceiro turno, violeta, triangular final, pêssego). Rogério, depois de falhas e boatos, Rogério depois de contusões e esquecimento, sumiu. Rogério, o único capa Placar rubro morreu, , dia 21 de outubro, novo ainda aos 59 anos, como informou seu irmão Beto por e-mail ao nosso amigo Feli Costa. Já se foram Orlando e Geraldo e agora você, Rogério. Não sei se os deuses do futebol queriam, se o foi erro dele, se foi simplesmente obra do acaso, mas que Rogério provou, em campo, que tinha condições de ser muito mais na carreira daquilo que foi. Adeus, Rogério, e obrigado pela grandíssima ajuda na conquista da Taça GB 74 e pela delicadeza de atender a uma família de torcedores rubros para fazer uma foto que certamente serviu de alicerce ao nosso amor de hoje ao America. Não existe futebol sem ídolos.
Ps- Para matar a saudade do Rogério, vejam o CANAL 100 no DVD do Ribeirinho com a conquista da Taça GB 74.